SARPAS NG:
COMO SOLICITAR?

Um guia prático para entender a solicitação de voo, analisar a área no mapa, planejar a operação e separar o que é autorização de espaço aéreo das demais permissões que podem ser necessárias no local.

Guia práticoDECEASARPAS NGAtualizado em 2026

Nota do Cafofo Digital: este guia tem caráter informativo e educativo. O SARPAS NG trata do acesso ao espaço aéreo brasileiro. Antes de voar, confirme também as exigências da ANAC, da Anatel e, quando aplicável, do proprietário ou gestor da área, de órgãos ambientais e de autoridades locais.

A autorização começa antes da decolagem

Uma boa operação de drone não começa no botão de decolagem. Ela começa no planejamento: onde o voo será feito, qual imagem será captada, qual altura é realmente necessária, quem estará no entorno e quais regras se aplicam àquele local.

É nesse contexto que entra o SARPAS NG. O sistema do DECEA é utilizado para solicitar acesso ao espaço aéreo brasileiro por aeronaves não tripuladas. Ele ajuda o operador a informar a área, o período, a aeronave e as características básicas de um voo planejado.

Para quem grava conteúdos, trabalha com audiovisual ou simplesmente quer voar com responsabilidade, usar o SARPAS não deve ser tratado como uma burocracia de última hora. É parte da leitura técnica do ambiente e da rotina de segurança.

O que é o SARPAS NG?

SARPAS significa Solicitação de Acesso de Aeronaves Remotamente Pilotadas. O SARPAS NG é a plataforma do DECEA voltada à solicitação de acesso ao espaço aéreo para drones e outras aeronaves não tripuladas.

Na prática, o operador entra no sistema, identifica a aeronave, define data e horário, desenha a área da operação no mapa e informa parâmetros necessários para análise do voo. Conforme as características da região e da solicitação, o pedido pode seguir por fluxos diferentes dentro do sistema.

O ponto principal é entender a competência envolvida: o SARPAS cuida do acesso ao espaço aéreo. Ele não substitui o cadastro da aeronave, a homologação de rádio, as regras de segurança ou as autorizações relacionadas ao solo e ao uso do local.

O que organizar antes de abrir o sistema

Antes de fazer a solicitação, vale deixar o planejamento pronto. Isso reduz erros no preenchimento e evita solicitar uma operação maior, mais alta ou mais longa do que a cena realmente exige.

01

Local

Defina com precisão onde ocorrerão decolagem, pouso e captação. Verifique se há obstáculos, pessoas, estruturas sensíveis, áreas ambientais ou regras próprias do local.

02

Operação

Planeje data, horário, duração e altura máxima coerentes com a tomada. O pedido deve refletir a necessidade real, não uma margem exagerada “só por garantia”.

03

Aeronave

Confirme a situação cadastral aplicável, a identificação da aeronave, as condições das baterias e o funcionamento do controle, câmera e cartão de memória.

Também é importante confirmar se a aeronave aparece corretamente no perfil usado no SARPAS NG. O sistema possui integração com o SISANT da ANAC; por isso, uma divergência de cadastro pode impedir que o equipamento fique disponível no momento da solicitação.

Dica prática: não deixe para solicitar no local, com o drone já montado e a luz perfeita indo embora. Faça o planejamento antes, acompanhe o status do pedido e leve os documentos necessários disponíveis no celular.

Como preencher uma solicitação de voo

A interface do SARPAS NG pode receber atualizações, mas o fluxo básico de uma solicitação segue esta lógica:

  • Acesse o SARPAS NG utilizando o login vinculado ao seu perfil.
  • Confira se a aeronave que será usada está disponível na lista.
  • Selecione a opção “Solicitar Voo”.
  • Preencha os dados básicos da operação, incluindo a aeronave e o perfil operacional solicitado pelo sistema.
  • Defina a data e a janela de horário em que a operação deve ocorrer.
  • Marque no mapa a área que será efetivamente utilizada.
  • Informe a altura máxima compatível com a necessidade da captação.
  • Revise todas as informações e envie a solicitação.

Depois do envio, acompanhe o status dentro do próprio sistema. O pedido deve ser lido junto com as condições informadas: área, período, altura, aeronave e demais parâmetros. Uma autorização não deve ser reaproveitada para outro local, outro horário ou uma operação diferente da planejada.

Como analisar o mapa e desenhar a área de voo

O mapa é uma das partes mais importantes do SARPAS NG. Ele não serve apenas para posicionar um ponto: é onde o operador visualiza o contexto aeronáutico da área pretendida.

Use a busca por endereço, ponto de interesse ou CEP para encontrar o local. Depois, delimite somente a área necessária para a operação. Para uma cena específica em uma praia, por exemplo, não faz sentido desenhar toda a extensão da orla se a captação ocorrerá em um trecho determinado.

Altura máxima

A altura solicitada deve ser proporcional à cena. Uma tomada de produto, um acompanhamento baixo ou um plano de fachada pode exigir poucos metros. Uma imagem ampla pode demandar mais altura. Em todos os casos, solicite apenas o necessário e respeite os limites aplicáveis à operação.

Data e horário

O período informado precisa abranger a operação real, incluindo preparação e possíveis repetições de tomada, sem transformar uma gravação curta em uma reserva excessiva de espaço aéreo.

Leitura do ambiente

Antes de enviar, observe o entorno. A proximidade de aeródromos, helipontos, aeroportos, rotas de aeronaves ou áreas com operações especiais pode influenciar a análise. Mesmo em um local aparentemente tranquilo, pode haver movimentação aérea que o piloto no solo não percebe de imediato.

SARPAS aprovado não é autorização para tudo

Esta é uma diferença que todo piloto remoto precisa compreender: uma situação favorável no SARPAS trata do espaço aéreo, mas não resolve automaticamente todas as permissões relacionadas ao local em que o drone vai operar.

Dependendo do cenário, pode ser necessário verificar exigências da ANAC, homologação da Anatel, autorização do proprietário da área, regras de condomínio, autorização de evento, orientação municipal, exigências de uma Unidade de Conservação ou procedimentos de um órgão ambiental.

Em áreas protegidas, parques, falésias, prédios públicos ou locais administrados por terceiros, decolar e pousar pode depender de autorização própria. O ideal é resolver isso antes do dia da captação, evitando conflito, interrupção da operação e exposição desnecessária de pessoas.

Exemplo prático: o espaço aéreo pode estar disponível para a operação solicitada, mas o gestor de uma área ambiental pode exigir autorização própria para usar aquele terreno, decolar, pousar ou captar imagens. Uma exigência não substitui a outra.

Segurança operacional antes de decolar

Mesmo com a solicitação correta, a decisão final de decolar continua dependendo da condição real do ambiente. Se o cenário mudou, se o vento aumentou, se surgiram pessoas não envolvidas na operação ou se a área de pouso ficou insegura, o piloto deve reavaliar o voo.

Antes de ligar os motores, faça uma checagem simples e objetiva:

  • Baterias do drone e do controle carregadas e em boas condições;
  • Cartão de memória funcionando e com espaço disponível;
  • Ponto de retorno ao lar configurado de forma coerente com o local;
  • Área de decolagem e pouso livre de obstáculos;
  • Condições de vento, chuva e visibilidade adequadas;
  • Pessoas não envolvidas afastadas da área de risco;
  • Documentos e comprovações necessários acessíveis no celular;
  • Operação compatível com a autorização e com o planejamento feito.

A partir de 1º de julho de 2026, a nova edição da ICA 100-40 passa a vigorar e reforça a exigência de solicitação prévia de autorização de acesso ao espaço aéreo para aeronaves não tripuladas, inclusive as de até 250 gramas. Por isso, o hábito de planejar e consultar o SARPAS será ainda mais importante para todos os perfis de piloto.

Conclusão

O SARPAS NG não é um detalhe burocrático: é uma ferramenta de planejamento, segurança e consciência operacional. Ele ajuda o piloto a olhar o voo antes de realizá-lo e a entender que o drone compartilha o espaço aéreo com outras atividades.

No Cafofo Digital, a regra é simples: imagem bonita nunca justifica operação improvisada. Conhecer a área, solicitar o que é necessário, respeitar as condições do local e saber interromper o voo quando o cenário não está seguro faz parte de ser um piloto responsável.

A série “Vamos Voar com os Pés no Chão” nasce exatamente dessa ideia: tecnologia, audiovisual e criatividade, mas sempre com planejamento, respeito e responsabilidade.

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O Cafofo Digital vai publicar novos conteúdos sobre RBAC 100, Unidades de Conservação, equipamentos, audiovisual e tecnologia aplicada à vida real.