RBAC 100:
O QUE MUDA?

Entenda a nova regulamentação da ANAC para drones, as categorias operacionais, a avaliação teórica e os impactos para pilotos recreativos, criadores de conteúdo e operadores profissionais.

Guia práticoANACDronesAtualizado em 2026

Nota do Cafofo Digital: este guia tem caráter informativo e educativo. Regras de drones podem ser atualizadas pela ANAC, pelo DECEA e por outros órgãos competentes. Antes de operar, consulte sempre os canais oficiais e verifique as exigências aplicáveis ao seu tipo de voo.

Por que falar sobre RBAC 100 agora?

O uso de drones cresceu muito no Brasil. Hoje eles estão em produções audiovisuais, inspeções, mapeamentos, eventos, turismo, agricultura, segurança, pesquisa e também nos conteúdos publicados todos os dias nas redes sociais.

Com esse crescimento, aumentam também as responsabilidades. Um drone pode parecer pequeno, mas ele ocupa espaço aéreo, pode voar perto de pessoas, de áreas sensíveis e de outras aeronaves. Por isso, o conhecimento técnico deixou de ser um detalhe: passou a ser parte essencial de uma operação segura.

O RBAC 100 surge nesse contexto. Ele representa uma atualização importante na forma como a ANAC organiza as regras para aeronaves não tripuladas no Brasil, com foco em risco operacional, segurança e responsabilidade do piloto remoto.

O que é o RBAC 100?

RBAC significa Regulamento Brasileiro da Aviação Civil. O RBAC 100 é o regulamento da ANAC voltado às aeronaves não tripuladas, conhecidas popularmente como drones.

A principal mudança é que a regulamentação passa a olhar com mais atenção para o risco da operação, e não apenas para o peso do equipamento. Isso é importante porque dois drones parecidos podem representar riscos diferentes dependendo de onde, como e para qual finalidade são operados.

Um voo em área isolada, longe de pessoas e estruturas sensíveis, não tem o mesmo risco de uma operação em ambiente urbano, próximo a público, edificações, rodovias, unidades de conservação ou áreas com restrições específicas.

As três categorias de operação

Com o RBAC 100, as operações com drones passam a ser organizadas em três grandes categorias: Aberta, Específica e Certificada. Essa divisão ajuda a separar operações mais simples daquelas que exigem maior análise e controle.

01

Aberta

Categoria voltada a operações de menor risco, realizadas dentro de limites operacionais definidos. Em geral, envolve voos mais simples, com exigências proporcionais ao nível de risco.

02

Específica

Categoria aplicada a operações que ultrapassam os limites da categoria aberta ou apresentam riscos adicionais. Pode exigir análise de risco e autorizações específicas.

03

Certificada

Categoria destinada a operações de maior complexidade e risco, sujeitas a requisitos mais rigorosos, semelhantes à lógica aplicada à aviação civil tradicional.

Na prática, isso significa que o piloto precisa entender não apenas qual drone está usando, mas também qual é o contexto do voo. Local, altitude, proximidade de pessoas, finalidade, ambiente e autorizações passam a fazer parte da análise.

Como funciona a avaliação teórica da ANAC?

Um dos pontos que mais chamou atenção foi a avaliação teórica para pilotos remotos. A proposta não é apenas testar memorização de regras, mas verificar se o piloto compreende os conceitos mínimos para operar com segurança.

O foco da avaliação está em temas como responsabilidades do operador, proteção de pessoas no solo, segurança de outras aeronaves, uso ordenado do espaço aéreo e tomada de decisão diante de riscos.

Esse ponto é importante: pilotar drone não é apenas saber decolar, gravar e pousar. Envolve planejamento, leitura do ambiente, respeito às normas e consciência de que a operação pode afetar outras pessoas.

Na prática: mesmo quando a avaliação permite consulta a materiais de referência, o piloto precisa entender o assunto. A ideia não é decorar respostas, mas demonstrar compreensão sobre riscos e responsabilidades.

O que muda para criadores de conteúdo?

Para quem usa drone em vídeos, redes sociais, campanhas e produções audiovisuais, o RBAC 100 reforça uma realidade que já vinha se desenhando: conteúdo com drone exige responsabilidade.

Um criador de conteúdo pode voar em praias, falésias, áreas turísticas, eventos, propriedades privadas ou locais próximos a unidades de conservação. Cada cenário pode ter regras diferentes, não apenas da aviação civil, mas também de órgãos ambientais, gestores locais e proprietários.

Por isso, quem monetiza conteúdo, faz publicidade, grava para marcas ou publica vídeos com frequência precisa tratar o drone como ferramenta profissional. Isso envolve documentação, planejamento, autorização quando necessária e respeito aos limites do local.

ANAC, DECEA, SISANT e autorizações locais

É comum confundir os papéis dos órgãos. De forma simples: a ANAC regula aspectos da aviação civil e da aeronave; o DECEA trata do acesso ao espaço aéreo; o SISANT é utilizado para cadastro de aeronaves não tripuladas; e alguns locais podem exigir autorizações próprias, como áreas ambientais, unidades de conservação, prédios públicos ou propriedades privadas.

Ou seja: estar regular em um sistema não significa automaticamente que todas as demais permissões estão resolvidas. O piloto precisa olhar o conjunto da operação.

Minha visão prática como operador e criador

No Cafofo Digital, a leitura é simples: o RBAC 100 não deve ser visto apenas como burocracia. Ele é um sinal de maturidade do setor.

Quem leva drone a sério precisa estudar. Isso vale para o operador profissional, para o criador de conteúdo, para quem faz imagens de turismo, para quem grava reviews e para quem simplesmente quer voar com segurança.

A série “Vamos Voar com os Pés no Chão” nasce exatamente dessa ideia: mostrar que é possível criar imagens bonitas, explorar tecnologia e contar boas histórias sem ignorar normas, riscos e responsabilidades.

Na minha visão, o piloto que entende as regras ganha liberdade com segurança. Ele planeja melhor, conversa melhor com órgãos públicos, evita conflitos e constrói mais credibilidade no mercado.

Conclusão

O RBAC 100 marca uma nova fase para os drones no Brasil. A tendência é que o setor fique mais organizado, mais técnico e mais exigente.

Para quem opera drones, o caminho não é ter medo da regra. O caminho é entender a regra, estudar, acompanhar as atualizações e transformar segurança em parte natural da rotina de voo.

No fim, um bom piloto remoto não é apenas quem faz a melhor imagem. É quem sabe quando voar, onde voar, como voar e quando não voar.

Fontes oficiais e leitura recomendada

Para acompanhar atualizações, consulte sempre os canais oficiais:

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